quarta-feira, 18 de julho de 2012

Pouco antes de chegarmos à Olhos d'Água


Ao pararmos em Ibipeba pedimos informações a um casal muitíssimo simpático que passava um pouco de tempo sentado à porta da lanchonete. De lá, com votos de sorte para nossa caminhada, tomamos estrada. Rumamos à nossa primeira estrada de terra nesta viagem. Seguimos à procura dos povoados, os mais pequeninos.
Passamos pelo primeiro: lugar bonito de gente calma e sorridente. Era grande, mas de ar acolhedor. Ao passarmos por ele pairava a sensação de que podia ser ali nossa paragem. Mas, com ela, seguimos à procura de lugar ainda menor.
Pouco tempo depois, Genifer sugeriu que parássemos o carro à beira da estrada e nos preparássemos para o cortejo. Trocamos de roupa no carro mesmo ou ao lado dele, como que escondidas de outros carros que viessem a passar pela mesma estrada. Meio arrumadas religamos o motor e seguimos em procura.
Depois de longo tempo sem avistarmos outro povoado nos aproximamos de um senhor moreno a pedalar devagar sua bicicleta. “Moço, daqui pra frente tem algum povoado perto?” O moço, já senhor, era seu Reniltom. Nenhuma de nós sabia que era, mas era sim. E nos disse que estávamos bem perto de certo lugarejo de nome Serra Grande. Agradecemos, mas seguimos esquecidas de perguntar se Serra Grande era mesmo lugar pequeno.
Chegamos a Serra Grande. Meu impulso, ao avistar poucas casas, foi o de parar. Estacionei o carro à sombra de uma árvore e saí dele para respirar um pouco. Não me lembro bem em que repousava meu olhar quando uma voz doce me disse: “O carro quebrou?” Que susto: à minha frente estava seu Reniltom. Como não o vi chegar? Como já estava ali? Feito aparição chegou e conversamos um pouco.

Fez bem aos ouvidos ouvir seu sotaque. Abrandou a alma sua doçura.

Seguimos ainda para outro povoado. Lá a dúvida entre ficar em Olhos d’Água e voltar à Serra Grande, povoado em que morava o doce senhor. O sol começava a sair. Era preciso escolher. Entre nós um ar de tanto pode ser aqui como lá.
A noite que se aproximava trouxe à Genifer uma ideia: tirarmos a decisão na moeda. Esta por seguidas vezes foi jogada para cima. Insistia em não se deixar cair na mão da moça. Parecia me dizer: “Não sirvo pra isto, Laura.” Ainda assim escolheu. Na quarta tentativa nos disse: “É aqui”. Ficamos.

Seu Reniltom, então, se fez lembrança delicada.

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